Restaurantes e vinhos: a rolha é o que nos resta
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Para quem gosta de cozinhar, comer bem, ler e escrever sobre comida e, principalmente, se divertir com tudo isso.
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Pois então aqui estamos outra vez para mais uma eleição dos melhores da cidade nos quesitos restaurantes, bares e comidinhas da Veja Rio. E como já está virando tradição, a Thedim mais uma vez pediu minha opinião no quesito comidinhas, talvez porque eu não tenha engordado nada desde a última edição. Ela deve achar que eu como pouco.
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Não sei de qual sabor será nem quem vai fazer ou quanto vai custar, se vai custar alguma coisa, mas a pizza sabor Visa Go entra no rol das coisas mais esdrúxulas que já vi. Chega a dar tristeza ao olhar a foto. Mais triste ainda se isso vira moda. Já imaginou você pedir num restaurante aquela picanha suculenta e ela chegar com a marca de um banco grelhada? Ou será que estou exagerando e dessa forma até comida vai ser grátis como provoca o Chris Anderson no seu último livro?
Fica num lugar que eu nem sabia que existia, dentro do Hotel Intercontinental mas com acesso pela praia de São Conrado, o que imediatamente tira do Eñe carioca a pecha de restaurante de hotel e dá uma cara de balneário que pouquíssimos restaurantes da cidade têm. A entrada é por um deck de madeira no meio dos jardins do hotel onde já há mesas sob um toldo para comer vendo e ouvindo o mar. Mas se você é do tipo que prefere um ambiente mais, por assim dizer, civilizado, com ar condicionado, ou se quer sentar vendo o que acontece dentro da cozinha, a casa tem um dos mais elegantes e despretensiosos salões que conheço na cidade. Piso de madeira rústico, instalações aparentes, iluminação suave e uma grande vidraça que dá para a cozinha onde a turma trabalha sob o comando sereno do chef Sergio Torres que chama um parêntese (quem acompanha o Bistrô há algum tempo talvez ainda se lembre que ele foi entrevistado aqui ao lado do seu irmão gêmeo e sócio quando abriram o Eñe em SP num dos poucos posts em que a gente aqui não chegou atrasado).
Logo ao chegar, também com uma cava na mão, provamos uma linguiçinha temperada com páprica, batatas bravas ao estilio da casa (na foto, sensacionais), croquetes de presunto cru e um mini tomate confit recheado de ostra que foi só o primeiro sabor inédito da noite. Se tivéssemos ficado naquele deck só com isso e a lua cheia, já estava bom. Mas entramos e sentamos.
Apesar de um monte de novidades, todos os pratos eram na sua essência, posso dizer sem exagerar, tipicamente espanhóis. Sem abuso da técnica, ingredientes facilmente identificáveis, misturas de sabores que sempre existiram, estava tudo lá. Já comi muita coisa em matéria de comida espanhola, desde a caseira do interior até a sofisticada de Barcelona e garanto que o Eñe é um restaurante espanhol até a raiz dos cabelos. Exatamente como a letra ñ. Bem vindos ao Rio.Marcadores: Comendo e bebendo fora
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No Intervinos, o nome infeliz – para mim parece nome de importadora, não de bistrô francês – esconde um restaurante que foi a melhor surpresa dos último tempos. Apesar da localização ingrata, funciona onde por muito anos foi o Take, um dos japoneses pioneiros da cidade, a visita ao “outro lado” de São Conrado foi prá lá de compensadora. Sob um edifício residencial e ao lado de uma verdadeira autopista, de fora a casa até parece modesta, mas a pequena fachada se abre num ambiente sóbrio, com pé direito duplo e nenhuma referência a um bistrô como o do cardápio que descobrimos depois. Logo na porta há uma boa exposição de vinhos para o cliente escolher e levar para a mesa. Curiosamente todos têm uma etiqueta com seu preço, bons preços, para você não precisar ficar perguntando quanto custam. Então, para deleite dos que pensam como o Luiz, nós escolhemos um Torres Gran Coronas Cabernet Sauvignon para acompanhar os pratos que ainda nem conhecíamos.
No Le Vin o ambiente é bastante diferente. Instalado numa casa no coração de Ipanema, a filial carioca do original paulistano chama a atenção pela simplicidade, quase descuido, com a ambientação externa. Mesinhas de bar ocupam a calçada sob um toldo que cobre também a varanda onde nos sentamos. Na entrada pelo que seria a garagem da casa, há uma vitrine com ostras frescas o que já dá uma dica do perfil do Le Vin. Ao fundo uma grande e bem iluminada adega faz jus ao nome que está no letreiro. Lá dentro o ambiente é mais arrumado mas ainda com um ar caseiro que não acrescenta nada, inclusive a toalha quadriculada usada em todas as mesas remete muito mais a uma cantina do que a um bistrô.Marcadores: Comendo e bebendo fora, Vinhos
Se alguém acha que vou começar explicando porque faz tanto tempo que não posto nada aqui está muito enganado. Então vamos começar logo a recuperar o tempo perdido.Vinho 3 – 100% Tempranillo. Cor vermelho cereja profundo. Sedutores aromas de pimenta preta, cedro, cereja e ameixa preta com especiarias no palato. Aveludado, potente e equilibrado acabado. Elegante na boca desenvolvendo tons de café e licor.
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Ando tão enrolado que nem vi o tempo passar.Mas vale à pena ler até o final pois tem de tudo aqui, até aquela promessa de subir na mesa e dançar rumba.
Obrigado e parabéns para vocês!
O primeiro, em Escondidinho
PF disse...
Paco,
Concordo em 100%. O Escondidinho da Acadamia é inimitável. Há umas 3 semanas atrás fomos ao Salve Jorge, um bar muito famoso aqui na Vila Madalena, conhecido pelas cervejas bem geladas e pelos quitutes considerados maravilhosos.
Pois bem, só quem não conhece o caldinho de feijão e o escondidinho da Academia pode achar que os daqui de São Paulo são maravilhosos. Não dá nem para começar a comparar!
Abraço,
PF
Amor em Calçotada
brisa disse...
Nem lembro como parei akih, mas estou de pleno acordo: pizza de brigadeiro?? ECA!! Jamais comih e nunca vou experimentar:))
Dois em Com quantos pratos se faz um cardápio
Polemicazinha em Jovens e Chefs
Antonio Carlos Sá Peixoto disse...
Muito boa critica. Sem desmerecer nenhum talento promissor ,mas realmente as técnicas estão sobrepondo os pratos, que deveriam continuar sendo as estrelas. Esta necessidade de buscar o novo esbarra na falta de fundamentos, buscam uma renovação sem base, ainda acredito na maneira tradicional de confecção dos pratos,podemos ser ousados mas muita novidade sem propósito atrapalha.
nina flores disse...
trabalho com um "jovem chef" que faria vc reavaliar um pouquinho suas palavras...
Sensações em Dois Livros
Pedro Mello e Souza disse...
Há três anos que o Bulli e o Fat Duck se revezam na liderança desse ranking aí. Como eu adoro números e estatísticas, parei para ver quem está sempre ou ocasionalmente. No primeiro desses rankings, encontrei um restaurante argentino, que nunca mais foi relacionado. Depois, surgiu um "juri" para a América Latina, que se não me engano, tem o Josimar como chairman. Claro que o Atalla merece, mas, politicamente, a Latin América tinha vaga cativa - selecionaram a última.
Saudades do Pisando em Repórter Esso
Eis que ela surge em A tampa certa
Histórias cariocas em Dois restaurantes
Gabriel disse...
O Gula Gula é uma verdadeira instituição carioca. E é uma maravilha ver o crescimento de uma marca sem que ela perca sua identidade. Sou fã de carteirinha. Sobre o Marco Polo, acho que o restaurante acabou porque o Alessandro era sócio de um chef francês, ex-Le Saint Honoré, que acabou falecendo ainda muito jovem. Diante disso, não tinha como continuar com o restaurante. O ponto passou para a Devassa e por isso o Alessandro é um dos sócios da casa. Desculpem, falei demais.
Pedro Mello e Souza disse...
Paco, desvendei: o baru é uma fruta de polpa alimentícia, mas de preparo difícil. Serve mais ao gado. Na cozinha, o que vale mais é a semente, que é torrada e fornece uma castanha de sabor suave e que proporciona petiscos, paçocas e pés-de-moleque. Daí o seu uso no pesto do beiju de tapioca, substituindo os pinoli, e no crocante do sorvete de umbu, em que faz o papel de uma castanha. Estou com a foto do baru - ou cumaru, ou ainda, como prefere o Houaiss, cumarurana.
Kats disse...
Paco, tks pelo link! Agora, engraçado... enquanto aí a moda são os botecos paulistizados, por aqui (SP) pipocam barzinhos estilo "boteco carioca" e a Devassa é um sucesso. Vai entender... Ah, e tem um leitor mineiro reclamando no blog que a origem dos botecos é mineira. E agora, José?
Mistérios em Não é mole, não
Barista disse...
Estou chocado!!! Como falar de café dá trabalho :o), seguimos falando das loiras e das não tão loiras assim.Estive recentemente na fabrica em Campos do Jordão e comprei algumas garrafas que ficam descansando na adega ate serem consumidas. Agora, me ocorreu, será que isto passará a ser uma constante no mercado? Grandes marcas comprando novamente marcas regionais? No passado foi assim.Soube que o pessoal da Itaipava que comprou a Lokal de Teresópolis é quem fabrica a cerveja “artesanal” Devassa. Portanto, deixou de ser artesanal e virou comercial mesmo!!!Hoje pelas bandas do Estado do Rio, temos algumas boas cervejas artesanais agora sendo engarrafadas. A saber: mistura clássica de volta redonda; imperial de Itaipava e Terezópolis de terê mesmo!!
Abraços, Barista
Errata internacional em Primeira chef três estrelas
nopisto disse...
Esto no es completamente verdadero.La primera mujer con 3 estrellas Michelin fué Eugénie Brazier quien hace más de 60 años veía honrado con la tercera estrella su restaurante -una casita de madera- en las montañas, Le Col de la Luère, después de habérselas ganado ya en Lyon con su archifamoso La Mère Brazier, abierto en 1921. La mère Brazier mantuvo hasta 1968 su tercera estrella.En Italia Nadia Santini de Dal Pescatore, en Lombardía hace tiempo que consiguió las tres estrellas Michelin y en España Carma Ruscalleda las tiene desde el año pasado. Por no hablar de Elena Arzak que ha heredado la que su padre tenía. Siento no poder falar en portugues pero creo que se entiende.
Astrologia em Um ano de Bistrô
loris disse...
genial, o Bîstrô é peixe como eu, jesus, etc acho que os piscianos não são modestos.brincadeira.parabéns.visual novo ou velho eu adoro o seu blog.continue nos maravilhando e fazendo valer a pena viver
Quem disse que isso aqui é virtual em Vinhos de outono
AnaWinTour disse...
Aquela noite foi ótima mesmo, e os vinhos deliciosos.E enfim, conseguimos conversar melhor - só tinhamos nos visto no lançamento do livro da Luciana!A MónicaB é aquela amiga (ainda virtual)a quem indiquei o seu blog, lembra que comentei? Ela é um amor e também comenta na Luciana.Quem sabe ela vai na próxima degustação e podemos conheça-la pessoalmente?Falando nisso, será que a Cristiana vai encontrar esses vinhos "tão brasileiros"? Vai ser o máximo, né?Bjs em vc e na Cláudia! Ana Luiza
Impagável em As batatas do Dr. Jeckyll
Juliana disse...
oi paco! voce viu que tem a opcao com hickory tambem, ao inves de alder? c-l-a-r-o que eu sei disso porque minhas lombrigas ficaram atacadas depois que li o post e estou querendo defumar o que aparecer pela frente. ja achei o smoker bag aqui. antes do proximo movimento, so preciso ter certeza de que meus vizinhos sao tao compreensivos quanto os seus. :-)
Bailando em Circuito RioShow de Gastronomia 2007
Cris Beltrão disse...
Os mandamentos de uma glutona em viagem...Pesquisar e estudar ingredientes tão profundamente quanto estuda a história do país que visita; ser intrépida e impávida com texturas, sabores e saliências obscuras; encarar um prato principal, uma entrada e uma sobremesa, sempre!, e sem pensar na balança; ter um marido que adore uma mulher rechonchuda; nunca deixar de provar especialidades locais, principalmente se recomendadas por pessoas simples e humildes; caso a morte lhe "acometa" durante a viagem, que seja por indigestão (!) e que em seu epitáfio, haja obrigatoriamente a inscrição: "aqui jaz Cristiana (ou fulana), a glutona, enterrada sem caixão, abraçada em cogumelos e trufas, por entre tubérculos e debaixo de uma horta".
Acho esse tipo de comida totalmente idiota. E mais idiota ainda é quem paga tanto para a comer. Comida não é experiência de laboratório. Pffff... Snobismos! :-(
Beijos.
Alta voltagem em Roberta Sudbrack
Roberta Malta disse...
Sinto falta, sim, da sua assiduidade nos posts, mas a saudade é maior e sempre acabo voltando. E amo quando tem novidade! Gosto do seu jeito de olhar as coisas e aprendo novos pontos de vista todas as vezes que leio, ou releio, um post do Bistrô. Pode ser melhor? Vida longa, Paco Torras!
Porcaria também se come em K, de ketchup
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O Copa Café é especializado em hambúrgeres e é sempre bem votado nas eleições da Vejinha. Na casa da Barra encontrei um serviço bastante atencioso e simpático e o cardápio, além dos tradicionais hambúrgeres, traz saladas, alguns grelhados e outros sanduíches. Nota-se a intenção de oferecer algum refinamento em pratos teoricamente simples, mas sem nenhuma afetação. Aqui cabe um parênteses saudosista: um dos donos do Copa foi dono do Rock Dreams, bar que já servia ótimos hambúrgueres nos anos 70 e talvez um dos primeiros lugares onde fui sozinho à noite na vida. Não dá para esquecer de liberdade e hambúrgueres juntos num lugar só, não é?
No Bazzar meu pedido já é um clássico. Se eu fosse assíduo o garçom nem me perguntaria: hambúrger com batata rosti e molho gorgonzola. Como você já deve ter notado não é o que está na foto ao lado que descaradamente roubei da Roberta. Gracias, Beta. Apesar de não ser uma casa especializada nesse tipo de sanduíche – a Constance até diz que o melhor de lá é o croque monsieur – o sabor do hambúrguer do Bazzar é inigualável. Não sei como a turma da Cris tempera a carne, mas até minha mulher que não é fã, achou sensacional. E é mesmo. O serviço também é sempre atento e delicado e as caipirinhas são ótimas.Marcadores: Comendo e bebendo fora
Não corta, não lixa, não aparafusa, não saca rolhas, não limpa os dentes, nem tira farpas de madeira enfiadas no dedão, mas em certos momentos é a melhor ferramenta que você pode ter no bolso. Compre seu canivete de chocolate recheado com praliné de amêndoas aqui.Marcadores: Bobagens